NEGOCIAÇÃO ENTRE CONTEC E FENABAN AVANÇA NA DISCUSSÃO DA NR-1 E MANTÉM SAÚDE DOS BANCÁRIOS NO CENTRO DA CAMPANHA SALARIAL 2026

A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) participou, nesta quinta-feira (16), de mais uma rodada de negociação da Campanha Salarial 2026 com a Federação Nacional dos Bancos (FENABAN), em São Paulo. O encontro reuniu representantes das federações e sindicatos de todo o país para discutir temas essenciais relacionados à saúde do trabalhador, saúde mental, implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), assistência médica, benefícios, igualdade de oportunidades, inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) e previdência complementar.

Logo na abertura da reunião, a FENABAN informou que representantes da entidade, da CONTEC e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estiveram reunidos na última terça-feira para discutir as transformações do sistema financeiro e seus impactos sobre as relações de trabalho. Também foi debatida a necessidade de ampliar o diálogo sobre a inclusão dos trabalhadores das cooperativas de crédito nas negociações coletivas.

Apesar de manter o posicionamento contrário à ultratividade das convenções e acordos coletivos, a representação patronal sinalizou avanços importantes em relação à implementação da NR-1, ao concordar com a inclusão do tema nas negociações coletivas e com a criação de uma comissão bipartite, formada por representantes da CONTEC e da FENABAN, para aprofundar os debates sobre a aplicação da norma no setor bancário.

Na pauta da saúde do trabalhador, a Comissão Nacional de Negociação da CONTEC apresentou propostas voltadas ao fortalecimento da proteção à saúde física e mental dos bancários. Entre elas, esteve o reconhecimento do nexo causal presumido em casos de adoecimento decorrentes de metas abusivas, sobrecarga de trabalho, assédio moral, burnout, ansiedade e depressão, com emissão obrigatória da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e garantia de estabilidade ampliada após o retorno ao trabalho.

A proposta foi rejeitada pela FENABAN, que alegou não ser possível presumir que transtornos mentais tenham origem exclusivamente no ambiente laboral. A representação dos trabalhadores contestou o posicionamento, destacando que a intensa pressão por resultados, as metas cada vez mais elevadas e a sobrecarga de trabalho fazem parte da realidade cotidiana da categoria e precisam ser consideradas na construção de mecanismos mais eficazes de proteção.

Outro ponto de intenso debate foi o sistema de metas praticado pelas instituições financeiras. Enquanto a FENABAN sustentou que os objetivos estabelecidos são atingíveis, com base em estudos contratados pelos bancos, a CONTEC reafirmou que a experiência dos trabalhadores demonstra um cenário de cobranças excessivas e adoecimento, reforçando a necessidade de aperfeiçoar as cláusulas de proteção à saúde e combate ao assédio.

Nas discussões sobre previdência complementar, a representação patronal informou que não pretende ampliar os benefícios atualmente existentes, mas demonstrou disposição em construir mecanismos para preservar os direitos já garantidos pelos planos de previdência. A CONTEC insistiu na necessidade de aperfeiçoamento dos benefícios, e a FENABAN comprometeu-se a analisar a reivindicação.

O eixo de Igualdade de Oportunidades também registrou importantes discussões. A FENABAN apresentou dados indicando crescimento da participação feminina, especialmente na área de Tecnologia da Informação, e aumento da presença de mulheres em cargos de liderança. A CONTEC reconheceu os avanços, mas defendeu a continuidade e o fortalecimento de políticas capazes de ampliar a equidade de oportunidades no sistema financeiro.

Também foram debatidas medidas para prevenção ao assédio sexual, com propostas de ampliação do conceito da prática, campanhas permanentes de conscientização e mecanismos que incentivem a denúncia por parte das trabalhadoras.

Outro avanço importante foi a abertura de negociação específica para tratar da proteção dos empregados contra casos de racismo, discriminação, assédio e violência praticados por clientes, incluindo a criação de canais de denúncia e protocolos de acolhimento às vítimas.

O presidente da Federação dos Bancários de Alagoas e Pernambuco (FEEB ALPERN), Gustavo Walfrido, que também integra a mesa nacional de negociação da CONTEC, reforçou que a defesa da saúde dos bancários continuará sendo prioridade nas próximas rodadas.

“A criação da comissão bipartite para discutir a implementação da NR-1 representa um passo importante, mas nossa luta vai além. Precisamos de uma Convenção Coletiva que reconheça o impacto das metas abusivas, da sobrecarga e do adoecimento mental vivido diariamente pelos bancários. Não abriremos mão de negociar mecanismos concretos de proteção à saúde, valorização do trabalhador e melhoria das condições de trabalho em todo o sistema financeiro”, afirmou Gustavo Walfrido.

A próxima rodada de negociação entre CONTEC e FENABAN está marcada para o dia 21 de julho, às 10 horas. A expectativa da representação dos trabalhadores é avançar nas discussões e ampliar as conquistas em favor da categoria bancária.

Participaram da mesa de negociação pela CONTEC representantes de diversas federações e sindicatos do país, entre eles o presidente da CONTEC, Lourenço Ferreira do Prado, além dos presidentes das federações de Alagoas e Pernambuco, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, bem como dirigentes sindicais de diferentes estados. Pela FENABAN participaram representantes dos principais bancos públicos e privados do país.

 

Fonte: FEEB AL/PE/RN

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